Henrique Cayatte – designer invisível

Junho 14, 2010

“Eu defendo uma atitude do designer que é a do designer invisível, em que ele não pode criar uma barreira entre quem emite e quem recebe. Eu defendo que o designer não tem que estar em primeiro lugar”.

Nasceu em Lisboa em 1957. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi director gráfico de diversas editoras e desenvolve actividade como designer gráfico. Em 1991, fundou o Atelier Henrique Cayatte onde desenvolve trabalho de design (em diversas áreas), de ilustração e de produção editorial.

Confesso a minha ignorância… não sabia que tinha sido o atelier Henrique Cayatte a desenhar a imagem mais recente das “Correntes D’escritas” da Póvoa. Esta imagem foi defendia à luz dos princípios do designer fundador, descrevem “o ícone é a letra, a marca são caracteres tipográficos e o código é conhecido de todos. Quando um texto é composto e paginado, a escolha do alfabeto adequado é determinante na boa leitura. O designer deve procurar, com a sua ‘invisibilidade’, reduzir a distância entre o texto original e aquele que vai ser fruído pelo leitor. Quanto menor for o ‘ruído’ maior a legibilidade”.

E não é a primeira vez que vemos Henrique Cayatte a defender o designer como um agente não activo, mas antes interprete, que conduz um processo de modo a chegar eficazmente ao produto final: “Design não é sinónimo de “bonito ou feio”. Para Cayatte o melhor serviço do design assenta na comunicação, podendo aliar o design gráfico, multimédia, informação… o objectivo nunca será “decorar”, mas antes passar uma mensagem.

Se formos a analisar o design em geral, poderemos englobar, mais que  o design papel/ecrã quando se fala em comunicação. Um produto, tenhamos por base o mobiliário, por exemplo, também tem que comunicar. Codificar a sua funcionalidade, esconder a sua performance, não será um exercício de um designer, mas antes de um “inventor”?

É claro que o tempo de “aprendizagem” na leitura de um texto  e na utilização de um objecto é completamente diferente, sendo que no primeiro a leitura é feita num só momento, e a utilização de um “armário” será feita por repetição. De qualquer das formas, se tivermos de explicar como se abre uma porta de um armário, ou se tira um café de uma máquina sempre que existe um novo utilizador, estaremos perante um bom exercício de design? Eu penso que não… um bom objecto é aquele que conta uma história, sem que tenhamos necessidade de a explicar.

Uma resposta to “Henrique Cayatte – designer invisível”

  1. André Says:

    adoro-te😛


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