Daciano da Costa – o observador

Junho 20, 2010

“Nascido em 1933 em Lisboa, Daciano Costa frequentou a Escola de Artes Decorativas de António Arroio e a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Com formação em pintura, DC começou a trabalhar no atelier do pintor e arquitecto Frederico George.”

Foi já neste momento que Daciano da Costa se apercebeu da necessidade de metodologia projectual. O certo é que Daciano da Costa é conhecido pelo seu método de observação perante o projecto…poderá ter nascido da sua formação base em pintura?

Li há pouco tempo o texto de Eduardo Côrte-Real “desenhar para perceber” onde é explicado o porquê da importância do desenho de observação no método projectual de Daciano da Costa. O autor descreve o método de ensino de Daciano como “um programa divido em três trimestres: Desenho de Observação, Experimentação da Cor e Transformação pelo Desenho.”

A cor assume-se com menor importância para o método projectual e são evidenciados o desenhos de observação e a tranformção pelo desenhos que são vistos respectivamente como “inquérito” e “solução de problemas”. E o autor vai ainda mais longe quando descreve as qualidades do desenho de observação como: Penetrado (estava no interior do tema. Era testemunha, tinha vivido, era parte do tema); Observado (que, como testemunha dentro do tema, tinha visto analiticamente o que o rodeava); Apreendido (que como consequência de testemunhar analiticamente tinha conservado e interiorizado essa experiência ao ponto de a reorganizar para a evocar (ou mesmo manipular).

Se formos a analisar o processo criativo dos designers actualmente, ser-nos-à fácil de admitir a presença de um desenho técnico final e, mais por acomodação do cliente, um render 3d que quanto mais fiel for, melhor. Será muito mais difícil de encontrar quem, por outro lado, use o desenho como forma de análise do projecto: há de facto recurso ao desenho na solução do problema… mas é muito mais raro encontrá-lo na análise desse problema.

E tal como Eduardo Côrte-Real afirma “Daciano tinha já dado demonstração cabal que, na sua obra, o processo funcionava”. Não deveríamos perder mais tempo nos cursos de design com os método tradicionais tantas vezes ignorados? O problema é que se muitas vezes essa disciplina de observação existe, raramente é explicada neste sentido… é quase sempre vista como “ensinar a desenhar melhor” e não “ensinar a projectar melhor”.

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