Que se comunique! eheh

Julho 26, 2010


Com a globalização da internet, a comunicação e as formas de informação foram evoluindo. Hoje podemos comprar o JN e usufruir do típico desfolhar do papel, ou então aceder com um simples clique à sua página da net e “gratuitamente” ler todas as notícias. Se formos perguntar à maioria das pessoas que usufruem de internet no local do trabalho, quase todas elas admitem que antes de começar a trabalhar, vão consultar se não a página do jornal diário, alguns blogs/sites que apresentam a informação que mais lhes interessa.

A realidade é que com o aparecimento de novas tecnologias, as formas de comunicação/informação/divulgação também evoluíram. Para além dos fantásticos blogs que hoje em dia encontramos (com o layout pre-definido, com algumas variantes e opções) começamos a ver em Portugal algumas publicações online, às quais chamamos vulgarmente de zines! Existem as fanzines, as artzines… mas todas têm um aspecto comum: divulgam trabalhos desconhecidos, vindos de várias vertentes artísticas, como a ilustração, o design, a música, etc.

Estes trabalhos (tal como muitos blogs) parecem resultar bem porque defendem uma causa, uma paixão… a ideia não é retirar partido monetário, mas antes vestir uma camisola e trabalhar, sobretudo, o espírito de grupo. Não podemos dizer que em Portugal se marque um estilo através desta publicações… não seguimos um estilo único ou comum, mas observamos uma posição de diversos autores.

A verdade é que através da dedicação de alguns, conseguimos conhecer abordagens de vários autores escondidos…e muitos deles com grande potencial. Venham mais zines!

http://www.ext-minds.com/newoptimism/

http://www.magneticamagazine.com/

A marca Tela Bags foi lançada em 2006, com o objectivo de reaproveitar paineis de pvc usados em publicidade, eventos diversos, ou edifícios em obras, em parceria com uma variedade de entidades tais como Museus, Teatros e Empresas. Desde essa altura, esta marca tem vindo a evoluir e a inovar cada vez mais: já não usam apenas as telas promocionais como material base, mas também sobras de velas de kite surf e papel.

Para além da preocupação ambiental (em que há o aproveitamento de matérias que, em caso contrário, seriam para o lixo), está sempre presente uma atitude inovadora: todos o produtos são únicos, feitos à mão e acompanham as tendências da moda. As malas são feitas em Portugal e acompanhadas uma a uma ao pormenor, para que a qualidade exigida seja sempre cumprida.

E como o que é bom ganha fama, esta marca já deu provas além fronteiras:  Bélgica, Estados Unidos e Japão, são apenas alguns dos países que já têm o prazer de conhecer esta marca lusa.

Há que aplaudir este tipo de iniciativas e apoiar cada vez mais… são elas que vão fazer a diferença neste nosso pequeno país à beira mar plantado. Originalidade e criatividade são duas premissas exigidas nestes novos tempos! Parabéns Tela!

http://www.telabags.net/

Felizes os que não sabem o que vão fazer. Procuram apreender as relações essenciais entre o meio que os formou e os circunda, e a linguagem que têm ao seu dispôr. (Victor Palla in “Arquitectura”, 1949)

Talvez por gostar da genuinidade das coisas, por achar que tudo se constrói a partir de um conjunto de panoramas, Vitor Palla foi um artista completo… arquitecto, fotógrafo, pintor, ceramista, escritor, tradutor, designer gráfico, editor e galerista.

Formado em 1946 pela Escola Superior de Belas Artes, partilhou atelier durante 25 anos com o arquitecto Bento de Almeida. Concebendo diversas publicações, desde revistas a catálogos de exposições, bem como capas de livros publicados por várias editoras. Pintor, apresentou regularmente em exposições colectivas e dinamizou diversas iniciativas culturais.

Mas foi na fotografia que Vitor Palla marcou a história: fotografou Lisboa ente 1956 e 1959 com o seu amigo Costa Martins e foi desse conjunto de fotografias que surgiu a publicação de autores “Lisboa, cidade triste e alegre”. Daqui resultou uma representação social de uma cidade, onde as vidas quotidianas de gentes comuns, são acompanhadas de poemas de exímios poetas. Publicado em 1959 (tendo sido um fracasso editorial), o livro foi redescoberto, e redistribuído, em 1982, por iniciativa de António Sena na “Galeria Ether” (Lisboa, 1982), numa exposição inaugural da mesma intitulada “Lisboa e Tejo e Tudo”.  Foi também citado por  Martin Parr e Gerry Badger em “The Photobook: A History”.

Vitor Palla, faleceu a 28 de abril de 2006 e deixa-nos um legado: arquitectura, design, textos e fotografia. Deixa-nos uma história, contada através da fotografia (mas não só), um retrato social de uma época, de um povo. Consegue, através de uma atitude global, marcar-nos localmente.

Há coisas que nos passam ao lado, por serem uma minoria, mas o certo é que a daltonia é um problema que afecta muitas pessoas e que em idade escolar, em que se aprende as cores, pode ser um factor de exclusão.

E como é na inclusão e democratização que está um dos principais objectivos do design, a Viarco, aproveitando o projecto ColorAdd do designer Miguel Neiva, vai desenvolver uma colecção de materiais – lápis de cor e ceras – para crianças e jovens no qual poderão associar a cor ao símbolo inscrito em cada um dos lápis. E é disso mesmo que se trata o projecto ColoAdd: de um sistema de simbolização e codificação de cores.

A Viarco vai incluir nas embalagens uma espécie de instruções, “uma escala de cores com os respectivos símbolos para as cores primárias, e a sua multiplicação”. Este produto terá, inicialmente, uma diferenciação mínima no custo em relação aos produtos “normais”, mas a ideia é que todos os produtos Viarco assumam estas características.

Este projecto estará implementado na mostra “Design Portugal. Design para Um Mundo Melhor” na Expo Xangai 2010. Desta forma, este caso assume-se como um exemplo a seguir, mostrando que quando o (bom) design é aliado à industria, ambas as partes ficam a ganhar. Portugal também fica a ganhar com estas boas ideias 100% nacionais…é preciso, por isso, que se aposte mais na inovação, para que possamos fazer a diferença, não só interna, como externamente.


Sem qualquer formação numa área artística e muito menos do design, Sebastião Rodrigues (1929-1997) desde muito cedo se deparou com a composição através de tipos em metal, pois o seu pai trabalhava no jornal “A Voz”.  Tendo por formação um curso profissional incompleto, de serralharia mecânica, em 1945 foi trabalhar para o Atelier de Publicidade Artística (APA).

Com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian (1959-60), viajou pelo norte de Portugal para conhecer e catalogar as raízes gráficas do nosso país. E é nesta pesquisa de campo, em que tentava encontrar um “estilo” português que se encontra o principal aliado para o trabalho de Sebastião Rodrigues. Cumprindo um método de projecto rigoroso no qual passava horas contínuas ao estirador, entre cópias a papel vegetal e artes finais, demonstrava-se perfeccionista desde o método de concepção até à produção.

O seu domínio perante a tipografia permitiu que a trabalhasse não só a nível textual, mas também da ilustração: os tipos passavam a fazer parte da ilustração. Todo este processo acentou em bases culturais, sem nunca desprezar que é “precisamente no diálogo e respeito com outras culturas, que a nossa se pode melhor afirmar” tendo tido por isso influências no português Vitor Palla e no americano Alvin Lustig.

De 1959 a 1961 foi o responsável pelo design gráfico da revista mensal Almanaque e durante a década de 60 produziu a imagem gráfica da Fundação Calouste Gulbenkian (desde os cartazes, desdobráveis, livros, catálogos, etc.,).

Reconheço que não conhecia Sebastião Rodrigues até há bem pouco tempo, mas tenho definitivamente que concordar com Daciano da costa quando afirma que Sebastião Rodrigues “foi um autodidacta porque a formação dele não era essa”. O seu design nascia genuinamente de uma cultura, ao qual ele ainda juntou uma pormenorizada pesquisa do que mais genuíno existia/existe em Portugal.