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Fernando Brízio, nasceu em Angola em 1968 e é licenciado em Design de Equipamento (1996) pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, cidade onde vive e trabalha.

“Faço objectos e gosto de os fazer”

Trabalha sobre o que observa, constrói sobre efeitos naturais e objectividades físicas. Disso são prova as jarras de porcelana moldadas numa viagem de automóvel, apenas com os movimentos do veículo. Outro projecto bastante curioso é o roupa renovável que se vai colorindo  após algumas horas… os marcadores assumem o papel detestado pelas mães das crianças (tingir) e renovam um tecido totalmente branco.

Há aqui uma base muito grande na experimentação. Os projectos nascem de uma programação, mas resultam da coincidência de acontecimentos. A envolvência psicológica com os projectos é de forma tão grande que construimos histórias em volta deles.

Diz “interessa-me continuar a pensar objectos que sejam utilizados pelas pessoas, que possam ser produzidos industrialmente”. Se o industrial ás vezes se fica pelo improviso, as pessoas nunca são esquecidas. Desperta sentimentos, sorrisos e recordações.

António Garcia, nasceu em Lisboa em 1925. Em meados da década de 1940 começa a colaborar com Sena da Silva, colaboração que se prolonga até ao final da década de 50. Desenhou todo o tipo de objectos, desde cartazes a maços de tabaco, passando por cadeiras para o pavilhão português na Expo Osaka (1970).

Desta cadeira “tipo Bauhaus”, recorda-se da impossibilidade de enviar o trabalho em barco (devido aos “timmings”)  resolvendo o problema com um objecto leve e compacto, com a facilidade de armazenar 12 cadeiras numa caixa e fazer o transporte em avião.

Manteve um atelier durante 40 anos na Avenida da Liberdade e tem saudades da altura em que tudo era desenhado à mão e na qual a essência do projecto prevalecia. Para António Garcia, o design é um processo normal, vem da necessidade de resolver desafios. Segundo Sofia da Costa Pessoa “o grande valor de António Garcia é a grande paixão pelo ofício e pela resolução de problemas a qualquer escala.”

Considero este designer, um designer do quotidiano… desenha todo o tipo de objectos (gráfico, de interiores, de equipamento, de mobiliário) sem qualquer pretensão teórica. Mais do que isso, cruzamos todos os dias com trabalhos feitos por António Garcia, sem saber quem os desenhou: são o caso dos maços de tabaco SG Ventil (1964) e SG Gigante (1966) que já ligamos automaticamente à nossa “vida” visual. Poderemos considerá-lo um designer anónimo, mas a razão está na maneira silenciosa com que faz/fez bom design.

(ao pesquisar por imagens encontrei este link com coisas fantásticas…talvez não tão anónimas como pensamos   http://marcastabaco.no.sapo.pt/fosforos.htm)

Martino & Jaña

Outubro 12, 2010

Ando meia ausente, mas não distraída.. Ultimamente tenho seguido (muito) o trabalho de um atelier aqui do norte do país, mais propriamente do Porto: Martino & Jaña.

Já conheço o trabalho há algum tempo… mas devo confessar que sem qualquer conhecimento de causa, passava em Guimarães e “pasmava” em alguns outdoors que por lá andavam e dizia “eh pah, bom designer que esta câmara tem”… ignorância minha. Martino & Jaña é um atelier que existe desde 2000 no Porto e que começou com a ideia de duas pessoas: João Martino e Alejandra Jaña. Hoje em dia participam neste projecto uma lista bem grande de pessoas (nomeadamente o grupo do meu amigo Nelson Alves, que desenvolveu o antigo site – Webprodz).

Os trabalhos deste atelier estão muito ligados a espectáculos, o que permite um devaneio no mundo da arte, sem nunca deixarem de parte a sobriedade e o requinte. São muitos e fantásticos os trabalhos para o Centro Cultural Vila Flor, espaço que ganha ainda mais “glamour” com a apresentação gráfica.

Conseguimos ver boa arte muitas vezes mal divulgada, ganhar vida e cor. Espero que continuem a trazer muito e cada vez melhor, porque é com este tipo de trabalhos que o design defende a sua causa. http://www.martinojanadesign.com/