António Garcia, nasceu em Lisboa em 1925. Em meados da década de 1940 começa a colaborar com Sena da Silva, colaboração que se prolonga até ao final da década de 50. Desenhou todo o tipo de objectos, desde cartazes a maços de tabaco, passando por cadeiras para o pavilhão português na Expo Osaka (1970).

Desta cadeira “tipo Bauhaus”, recorda-se da impossibilidade de enviar o trabalho em barco (devido aos “timmings”)  resolvendo o problema com um objecto leve e compacto, com a facilidade de armazenar 12 cadeiras numa caixa e fazer o transporte em avião.

Manteve um atelier durante 40 anos na Avenida da Liberdade e tem saudades da altura em que tudo era desenhado à mão e na qual a essência do projecto prevalecia. Para António Garcia, o design é um processo normal, vem da necessidade de resolver desafios. Segundo Sofia da Costa Pessoa “o grande valor de António Garcia é a grande paixão pelo ofício e pela resolução de problemas a qualquer escala.”

Considero este designer, um designer do quotidiano… desenha todo o tipo de objectos (gráfico, de interiores, de equipamento, de mobiliário) sem qualquer pretensão teórica. Mais do que isso, cruzamos todos os dias com trabalhos feitos por António Garcia, sem saber quem os desenhou: são o caso dos maços de tabaco SG Ventil (1964) e SG Gigante (1966) que já ligamos automaticamente à nossa “vida” visual. Poderemos considerá-lo um designer anónimo, mas a razão está na maneira silenciosa com que faz/fez bom design.

(ao pesquisar por imagens encontrei este link com coisas fantásticas…talvez não tão anónimas como pensamos   http://marcastabaco.no.sapo.pt/fosforos.htm)

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Martino & Jaña

Outubro 12, 2010

Ando meia ausente, mas não distraída.. Ultimamente tenho seguido (muito) o trabalho de um atelier aqui do norte do país, mais propriamente do Porto: Martino & Jaña.

Já conheço o trabalho há algum tempo… mas devo confessar que sem qualquer conhecimento de causa, passava em Guimarães e “pasmava” em alguns outdoors que por lá andavam e dizia “eh pah, bom designer que esta câmara tem”… ignorância minha. Martino & Jaña é um atelier que existe desde 2000 no Porto e que começou com a ideia de duas pessoas: João Martino e Alejandra Jaña. Hoje em dia participam neste projecto uma lista bem grande de pessoas (nomeadamente o grupo do meu amigo Nelson Alves, que desenvolveu o antigo site – Webprodz).

Os trabalhos deste atelier estão muito ligados a espectáculos, o que permite um devaneio no mundo da arte, sem nunca deixarem de parte a sobriedade e o requinte. São muitos e fantásticos os trabalhos para o Centro Cultural Vila Flor, espaço que ganha ainda mais “glamour” com a apresentação gráfica.

Conseguimos ver boa arte muitas vezes mal divulgada, ganhar vida e cor. Espero que continuem a trazer muito e cada vez melhor, porque é com este tipo de trabalhos que o design defende a sua causa. http://www.martinojanadesign.com/

Azores Combo

Setembro 22, 2010

O Governo Regional dos Açores está a promover um concurso no qual a ideia é o desenho peças/objectos em vime. O objectivo é que promover a criatividade artística com base no diálogo entre as artes tradicionais e as inovações estéticas contemporâneas.

O vime constitui um dos primeiros recursos naturais utilizados no Arquipélago dos Açores. Entre os vários objectos produzidos a partir do vime, os cestos assumem o principal papel, logo seguido do mobiliário. Nos finais da década de 50 do século XX, o aparecimento de combustível barato e de produtos sintéticos feitos à base de petróleo substituíram o vime: assim, objectos de vime utilizados na agricultura e na construção  foram trocados por plásticos.

Os criadores dos projectos seleccionados poderão participar numa residência artística a decorrer em Ponta Delgada, de 20 a 29 de Novembro de 2010 e desenvolver a sua ideia juntamente com os artesãos convidados.

Na minha opinião esta é uma grande iniciativa que poderá promover a nossa cultura, não só interna como externamente. O prémio não poderia ser melhor adequado, pois poder-se-à partilhar conhecimentos de ambas as partes (tanto dos artesão para os designers, como vice-versa). A realidade é que, mesmo fazendo os Açores tão parte de Portugal como qualquer região continental, muitas vezes esquecemos que ali (assim como na Madeira) também existe muita cultura artesanal.

Para além de toda a parte teórica do projecto estar muito bem pensada, toda a sua promoção está pormenorizadamente desenhada…e bem desenhada. Desde o logotipo, ao web site, tudo entra numa harmonia contagiante.

http://azorescombo.org/artcamp/regulamento

Destination Portugal

Setembro 14, 2010


O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMa) lançou em Maio deste ano, o projeto “Destination: Portugal”, que reúne cem peças de designers portugueses e onde a Fundação Serralves ajudou na selecção  dos autores e das peças representadas.

De todos os que expuseram em Serralves aquando da visita dos representantes do MoMa, apenas 14 foram convidados a levar os trabalhos para Nova Iorque. Grande parte das cem peças escolhidas foram produzidas com materiais tradicionalmente associados a Portugal, como é o caso da cortiça, ou com recurso a materiais reciclados. O objectivo é “mostrar artes e ofícios das gerações passadas” e que normalmente só se encontram à venda em Portugal.

Portugal foi escolhido como país-tema porque os representantes do MOMA consideram que o nosso país ainda não está consolidado no design, mas é antes um país emergente e com fortes características de evolução nesta área.

A realidade  é que antes de Portugal estiveram expostos países como a Finlândia, a Dinamarca, o Brasil ou o Japão. Se formos a ver um a um, todos eles são, em comparação com Portugal, países bastante consolidados em termos de design… todos identificamos a objectividade do design escandinavo, a sobriedade do japonês ou a excentricidade do brasileiro. Se o conceito da iniciativa é “descobrir o que de mais novo se faz em países emergentes na área do design e apresentar ao público”, porque foram escolhidos estes países anteriores? Se conseguíssemos fazer equivalência , podíamos ficar bastante satisfeitos por termos sido os actuais escolhidos… mas na minha opinião (e posso estar seriamente enganada) os presentes parâmetros de escolha, nada tiveram a ver com os anteriores.

Dino dos Santos nasceu em 1971 no Porto e foi aqui que se licenciou em Design e Comunicação Visual (ESAD) em 1994. Facilmente percebeu que o design gráfico era, já na altura, uma área saturada, o que o levou no caminho do desenho de tipografia.

Afirma que começou a desenhar tipografia porque “Os meus colegas de curso estavam mais interessados em conseguir imagens diferentes para os seus trabalhos, no fundo, o natural fascínio de quem em 1992 começa a utilizar o Photoshop… no entanto eu estava mais interessado na versatilidade que o texto permitia, quer enquanto elemento de comunicação escrita, quer como elemento que, organizado de um detrminado modo, permitia compôr imagens e ideias que iam para além do próprio conteúdo.”

Apesar de ser uma área pouco compreendida (quer pela falta de clientes, quer pela falta de conhecimento das pessoas em geral) Dino Santos fundou logo em 1994 a DSType Foundry (www.dstype.com), um atelier de criação de tipografia digital. Ganhou até à actualidade diversos prémios com variados tipos:  “Esta” – Best Serif Font de 2005 pelo MyFonts.com;  “Nerva” – Notable Releases of 2005 pelo Typographi.com; “Andrade” – Creative Review Type Design Award, na categoria Revival / Extension family.

Apesar das suas referências nas tipografias portuguesa e italiana, assume que “a história é um processo em aberto e não a morte do processo” e que o melhor da tipografia actual está na escola holandesa. O seu método projectual passa por um estudo prévio a nível do desenho, passando só na parte final ao digital e utilizando o FontLab.

Confesso que sou uma apaixonada pela “Andrade”  (já a tendo usado em diversos trabalhos)… toda ela é elegante e bem trabalhada. O que mais me apaixona nesta letra é mesmo a magnífica conjugação que conseguimos entre a Pro, a Swashes e a Scrip… utilizando apenas a Andrade, conseguimos uma enorme riqueza tipográfica.

Dino dos Santos é de facto um nome marcante na tipografia, não só nacional, como mundial. Apesar de, ainda hoje, ser difícil aprender a produzir tipografia, este designer é a prova de que qualquer trabalho pode ser conseguido com muita dedicação.