Um pioneiro do design português? Rafael Bordalo Pinheiro

Abril 29, 2010

“Rafael Bordalo Pinheiro nasceu a 21 de Março de 1846. Cresceu em Lisboa, numa família com ligações fortes à actividade artística. Frequentou a Academia de Belas Artes e tentou a pintura, mas foi no desenho, no desenho de humor e costumes, e na caricatura que se fixou, ao longo de praticamente três décadas da sua vida. Fundou e dirigiu publicações, ilustrou livros e jornais, aliou a escrita à imagem, num jornalismo muito vivo, crítico, por vezes mordaz, que abarcou todos os aspectos da vida política, intelectual e social do Portugal dos finais do século XIX… A liberdade, a alegria, a criatividade, o sentido crítico que valorizamos, no tempo que nos constituiu como País moderno, não teriam a expressão que lhes reconhecemos sem a obra de Rafael Bordalo Pinheiro.

Em 1883, Rafael Bordalo Pinheiro decidiu acrescentar às suas actividades de ilustrador e desenhador, a de ceramista. Escolheu as Caldas da Rainha, que nas duas ou três décadas anteriores ganharam reconhecimento nacional e internacional como centro produtor de uma louça decorativa de inspiração naturalista, à maneira do neo-palissy. Surgiu assim a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, um grande projecto empresarial, abrangendo diversos domínios da produção industrial de cerâmica, tecnologicamente avançado e muito exigente do ponto de vista financeiro. Como é sabido, esse projecto não teve vida fácil e não logrou todos os seus objectivos, mas Rafael Bordalo Pinheiro manteve-se, até 1905, à frente de uma oficina que renovou profundamente a cerâmica portuguesa, num constante desafio à inovação dos modelos, à imaginação artística e artesanal, e numa permanente transgressão dos limites do trabalho olárico. Caldas da Rainha adoptou Rafael Bordalo Pinheiro, viveu os seus momentos de desânimo e exultou com os seus êxitos. O talento e a energia de Bordalo não ficou confinado às instalações da sua oficina, invadiu a vila de então, comentou-a, interpelou-a, provocou-a.”  (texto de homenagem aos 100 anos de falecimento de Bordalo pinheiro)

“Caldas da Rainha, Leiria, 30 Mar (Lusa) 2009 – O grupo Visabeira de Viseu vai passar a ser o sócio maioritário da fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, de Caldas da Rainha, desconhecendo-se se a nova administração vai assegurar os 172 postos de trabalho. –  “A Visabeira irá ficar como sócia maioritária da Bordalo Pinheiro e tudo indica que as negociações possam terminar dentro de um a dois dias”, confirmou à agência Lusa o sócio minoritário da fábrica, Vera Jardim, que tem vindo a participar nas negociações desde que em Dezembro a empresa deixou de ter encomendas suficientes para ser viável.” (texto retirado do JN)

Tendo Rafael Bordalo Pinheiro ficado na história, como uns dos pioneiros do design português, artista bem polivalente e criativo, é uma pena que se tenha de discutir questões económicas (mais ou menos fáceis de se resolver). Não deveríamos nós orgulharmos-nos de um artista tão multifacetado? Não esteve aqui uma oportunidade de marcar uma linguagem visual em Portugal? Talvez sim, talvez não (afinal trata-se sobretudo de uma visão/expressão pessoal). De qualquer forma, Rafael Bordalo Pinheiro merece um esforço actual, para o manter na nossa história e no nosso património.

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